Mulher idosa de óculos e cabelos grisalhos vista de perfil, sentada no sofá de casa, enquanto segura um celular e finaliza uma compra online. No canto inferior esquerdo, está o logotipo da Perto Digital.

Silver economy: o que é a economia prateada e como preparar seu negócio para ela

Felipe Gruetzmacher
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Vera tem 67 anos, é professora aposentada e está organizando uma viagem. Pelo celular, ela entra numa loja virtual de malas e acessórios de viagem para comprar uma mala de bordo. Vera é uma das consumidoras da silver economy: tem dinheiro, sabe o que quer e realiza compras digitais com frequência.

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No entanto, na loja, ela encontra quatro barreiras:

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  • O preço e a descrição do produto estão em letra pequena e em cinza-claro sobre fundo branco;
  • O botão de comprar é pequeno e fica colado no item “adicionar aos favoritos”. Vera tocou no local errado duas vezes;
  • O cadastro pede muitos campos. A sessão expira quando ela finaliza tudo;
  • O valor do frete só aparece em um banner que passa sozinho.

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Diante disso, Vera desiste e compra a mesma mala em outra loja. Já a primeira loja perdeu a venda sem nunca saber o motivo. O problema não estava em Vera, e sim na loja.

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Esse contexto é vivenciado por muitas pessoas que fazem parte da silver economy, o conjunto de setores dedicados a atender pessoas com 50 anos ou mais.

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Nas próximas linhas, o nosso texto vai responder à questão: afinal, o que é esse mercado? Encare essa pergunta como uma chance de o seu negócio expandir e conquistar novos consumidores.

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Neste Artigo:

O que é silver economy (economia prateada)?

A silver economy, também conhecida como “economia prateada”, é o conjunto de soluções voltadas para a pessoa idosa. Tal nome faz referência aos cabelos grisalhos dos clientes.

Historicamente, o conceito surgiu no mercado sênior japonês dos anos 1970: são diversos setores, como saúde, turismo, finanças, moradia e lazer, que formam a economia da longevidade.

O envelhecimento da população e o aumento do poder de compra modificam hábitos e perfis de consumidores. Por isso, tanta longevidade aquece o ecossistema AgeTech, soluções tecnológicas voltadas para aumentar a qualidade de vida dessa fatia populacional.

Essas transformações econômicas nos conduzem a tentar entender o que caracteriza essa população. Afinal, a partir de qual idade uma pessoa faz parte desse mercado?

50+ ou 60+: qual faixa etária conta

A União Europeia e a Oxford Economics usam 50+ para definir a idade da pessoa incluída na silver economy. No Brasil, a referência legal para a pessoa idosa é de 60 anos, definida pelo Estatuto da Pessoa Idosa. O IBGE segue esse critério nas estatísticas sobre a população idosa, e muito conteúdo sobre negócios brasileiros também usa 60+.

Como o seu negócio escolhe entre o consumidor 50+ e o consumidor 60+? Você precisa, inicialmente, escolher a idade do seu público-alvo de acordo com sua solução e contexto empresarial. Não misture os dados das duas faixas no mesmo cálculo.

A professora Vera, por exemplo, tem 67 anos e entra nas duas faixas.

Por que a silver economy importa para quem vende online?

Negócios como e-commerces estão em setores que atendem a economia prateada. Servir as pessoas não é só uma questão de inteligência de mercado: o lado humano conta também quando lidamos com o cliente.

Afinal, a população 60+ cresce no Brasil e a internet conecta esse consumidor com o ecossistema digital. Assim, uma venda perdida ocasionada por uma barreira digital é bem mais do que deixar dinheiro na mesa. Significa impedir uma pessoa adulta de participar de uma compra autônoma.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, as pessoas de 60 anos ou mais correspondem a 15,8% da população brasileira. Isso significa 32.113.490 pessoas idosas residentes em solo brasileiro.

Além disso, considerando o público 50+, a consultoria Data8 estima que esse mercado movimente cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil. Repare que a estimativa usa a faixa de 50+, e não a de 60+ do IBGE.

Esses fatos nos provocam a inquietação: se o potencial de compra é tão grande, por que a loja perdeu a venda de Vera? As barreiras que ela encontrou são um problema de idade ou de acessibilidade? Até porque as duas coisas estão associadas: não há consumo sem inclusão.

Acessibilidade digital é para todos

Sites acessíveis são um direito. Conforme expressa o artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (LBI):

É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.

Mais de dez anos depois, o artigo ainda não foi regulamentado, e os parâmetros técnicos obrigatórios seguem em discussão, inclusive na Justiça Federal.

Para além da discussão legal, há uma oportunidade para as organizações. A acessibilidade digital melhora a vida de todas as pessoas, ainda mais com o envelhecimento. Algumas condições ficam mais comuns neste contexto de vida, como:

  • Baixa visão;
  • Perda auditiva;
  • Tremor nas mãos.

Existe até toda uma fundamentação técnica, a ABNT NBR 17225, para auxiliar negócios a melhorar a experiência do usuário. Por enquanto, a norma é uma referência técnica, sem força obrigatória. Um caso concreto ajuda a pensar nisso melhor.

Imagine a professora Vera ou qualquer pessoa, com ou sem deficiência, usando o celular sob o sol por um bom tempo. O contraste adequado, uma das soluções de acessibilidade, melhora a navegação de todos os públicos nessas condições. Se sua marca fosse implementar toda a infinidade de funcionalidades inclusivas, o que mudaria no seu site?

Como preparar seu site para a silver economy

Resolver as barreiras digitais enfrentadas por Vera na hora da compra reduz o atrito no funil, o que pode influenciar a taxa de conversão e o abandono de carrinho.

Sem um caminho de compra simples, ela não finaliza o checkout. A seguir, as quatro dificuldades enfrentadas por Vera são examinadas uma a uma.

Texto legível e com contraste

Nesse primeiro contexto, a letra pequena e a cor clara sobre o fundo branco atrapalhavam a leitura e a compra de Vera. Diante desse problema, a referência técnica WCAG (Web Content Accessibility Guidelines, ou Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web) traz um conjunto de recomendações para tornar a internet mais acessível para pessoas com deficiência (PcD).

Assim, a WCAG menciona uma proporção mínima de contraste para garantir que pessoas com baixa visão ou daltonismo consigam ler o conteúdo. O contraste é a diferença de brilho, luminância ou cor entre dois ou mais elementos, como o plano de fundo e o texto.

Além disso, uma boa experiência visual pressupõe a possibilidade de ampliar o texto sem quebrar a página.

Na loja de Vera:

  • Antes, o preço da mala aparece em letra pequena e cinza-claro sobre fundo branco;
  • Depois, o preço aparece em tamanho legível, com contraste adequado, e pode ser ampliado sem quebrar a página.

Botões e áreas de toque do tamanho certo

A segunda barreira é uma área de toque muito reduzida. Botões pequenos e muito próximos causam toques errados no celular.

Essa característica negativa afeta pessoas com tremor, quem tem dedos maiores ou quem está em movimento. O tamanho ideal para botões depende da plataforma. Como referência, a WCAG 2.2 pede área de toque de pelo menos 24 x 24 pixels e recomenda 44 x 44 pixels no nível mais exigente das diretrizes.

Na loja de Vera:

  • Antes, o botão de comprar é pequeno e fica colado ao de favoritos, e ela toca no errado duas vezes;
  • Depois, o botão de comprar tem área de toque maior e fica afastado do botão de favoritos.

Formulários curtos e sem pressa

Formulários com campos desnecessários, mensagem de erro pouco clara e sessões que expiram sem aviso dificultaram que Vera finalizasse o preenchimento do cadastro. Já um formulário acessível avisa antes de a sessão expirar e oferece a opção de pedir mais tempo.

Na loja de Vera:

  • Antes, o cadastro pede muitos campos e a sessão expira sem aviso quando ela termina de preencher;
  • Depois, o cadastro pede só o necessário e avisa antes de expirar, com a opção de ganhar mais tempo.

Informação importante que não some da tela

A quarta barreira diz respeito a frete, prazo e condições de pagamento que aparecem só em banners que passam sozinhos pela tela. Vera não conseguia acessar essas informações de modo fácil. Assim, ficava difícil saber se a compra cabia no bolso dela.

Conteúdo em movimento precisa ter como ser pausado, e a informação que pesa na decisão de compra não deve depender dele. Assim, o consumidor tem tempo para avaliar se a compra é economicamente viável.

Na loja de Vera:

  • Antes, o valor do frete só aparece num banner que passa sozinho;
  • Depois, o frete aparece fixo, junto ao preço, e o banner tem um botão para pausar.

Agora que essas quatro barreiras já foram explicadas, como saber se o seu site apresenta recursos inacessíveis?

Como conferir se o site funciona para esse público

Uma maneira de avaliar a usabilidade de um site é pedir que as próprias pessoas 60+ usem o seu site, avaliando onde elas hesitam ou erram. Não ajude a pessoa usuária durante o processo. O teste deve reproduzir as condições reais da navegação para tornar os resultados mais fiéis.

Outra forma de revisão rápida é aumentar o zoom do celular, usar o site sob luz forte e tentar finalizar uma compra só com uma das mãos.

Ferramentas automáticas de diagnóstico ajudam a começar, mas não encontram todas as barreiras, porque alguns critérios da WCAG dependem de avaliação humana. No contexto vivenciado pela usuária Vera, um teste de usabilidade simples revelaria as quatro barreiras da loja em poucos minutos.

Erros comuns na comunicação com a pessoa idosa

Tratar o cliente da silver economy com empatia não é só uma questão técnica ou de escrita de código. Uma linguagem clara também evita estereótipos.

A própria representação da diversidade etária deve ser repensada para evitar o etarismo. Por isso, abaixo, você confere um bom checklist para aprimorar a sua comunicação:

  • Nunca use termos que infantilizam, como “melhor idade” ou “vovô”;
  • Não use imagens que só apresentam a pessoa idosa em contexto de doença, aposentadoria ou uso de remédio;
  • Evite tratar todas as pessoas acima de 50 ou 60 anos como um grupo único;
  • Não presuma que a pessoa idosa não sabe usar tecnologia;
  • Não trate uma compra on-line como façanha.

Tecnologia que ajuda, sem substituir o ajuste do site

O design inclusivo é a resposta para essas barreiras. Há, de fato, muitas ferramentas que permitem ao público ajustar o site: navegar por voz, aumentar a letra, mudar o contraste, ouvir o texto e ouvir a descrição das imagens pelo leitor de tela.

A própria inteligência artificial amplia as possibilidades de uso. O Plugin Perto é um exemplo: reduz barreiras e dá mais autonomia a quem navega. Essa tecnologia requer boas práticas e revisão humana, pois nenhuma inovação deixa um site 100% acessível sozinha.

Na loja fictícia apresentada na introdução, um plugin como esse ajudaria nas barreiras de leitura, com ajuste de contraste, tamanho da letra e zoom, e pararia o banner em movimento com a função de bloquear animações. Já o tamanho e a distância dos botões e o cadastro que expira se resolvem no código do site. Por isso, o melhor ponto de partida combina as duas frentes.

Deixe a economia prateada brilhar com a acessibilidade digital

Volte ao caso de Vera: ela comprou a mala depois que as quatro barreiras foram resolvidas. A lição deixada por esse exemplo é que, na silver economy, se o site trava, quem perde é a marca, e não o consumidor.

Para dar o primeiro passo, a Perto Digital oferece o plugin de acessibilidade, com mais de 60 funcionalidades e perfis acionados com um único clique. O consumidor da silver economy é particularmente beneficiado por recursos como o perfil de baixa visão, a alteração no tamanho da letra, o alto contraste, o zoom no conteúdo, o leitor de texto, os links sublinhados e o comando de voz.

Toda essa inovação facilita a navegação e complementa os ajustes do site. Teste o Plugin Perto gratuitamente e perceba a diferença no seu site. 

Perguntas frequentes sobre silver economy

Fique agora com um FAQ bem direto para reforçar seu aprendizado.

O que significa silver economy?

É um conjunto de soluções de mercado voltadas para o público idoso.

Silver economy e economia prateada são a mesma coisa?

Sim. Economia prateada é a tradução de silver economy, em referência aos cabelos grisalhos das pessoas consumidoras.

A partir de qual idade alguém faz parte da silver economy?

A União Europeia e a Oxford Economics consideram que uma pessoa faz parte da silver economy a partir dos 50 anos. No Brasil, a referência legal para a pessoa idosa é de 60 anos, critério também usado pelo IBGE.

Quanto a silver economy movimenta no Brasil?

Considerando o público 50+, a consultoria Data8 estima que esse mercado movimente cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil.

Quais setores fazem parte da economia prateada?

A economia prateada reúne vários setores, e não um só. Entre os exemplos mais citados estão saúde, turismo, finanças, moradia e lazer.

Acessibilidade digital serve só para pessoas com deficiência?

Não. Na verdade, a acessibilidade digital beneficia uma gama imensa de pessoas usuárias, como o público idoso, pessoas com baixo letramento e quem tem impedimentos temporários.

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Felipe Gruetzmacher

Felipe Emilio Gruetzmacher é um homem autista que atua como redator da Perto Digital, diretor de produção textual da diverSCInnova, copywriter da Editora Simulacro e blogueiro do site da ANAGEA (Associação Nacional dos Gestores Nacionais). Acredita no potencial da tecnologia em transformar a experiência digital e promover a inclusão das pessoas com deficiência.
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