
Vera tem 67 anos, é professora aposentada e está organizando uma viagem. Pelo celular, ela entra numa loja virtual de malas e acessórios de viagem para comprar uma mala de bordo. Vera é uma das consumidoras da silver economy: tem dinheiro, sabe o que quer e realiza compras digitais com frequência.
No entanto, na loja, ela encontra quatro barreiras:
Diante disso, Vera desiste e compra a mesma mala em outra loja. Já a primeira loja perdeu a venda sem nunca saber o motivo. O problema não estava em Vera, e sim na loja.
Esse contexto é vivenciado por muitas pessoas que fazem parte da silver economy, o conjunto de setores dedicados a atender pessoas com 50 anos ou mais.
Nas próximas linhas, o nosso texto vai responder à questão: afinal, o que é esse mercado? Encare essa pergunta como uma chance de o seu negócio expandir e conquistar novos consumidores.
A silver economy, também conhecida como “economia prateada”, é o conjunto de soluções voltadas para a pessoa idosa. Tal nome faz referência aos cabelos grisalhos dos clientes.
Historicamente, o conceito surgiu no mercado sênior japonês dos anos 1970: são diversos setores, como saúde, turismo, finanças, moradia e lazer, que formam a economia da longevidade.
O envelhecimento da população e o aumento do poder de compra modificam hábitos e perfis de consumidores. Por isso, tanta longevidade aquece o ecossistema AgeTech, soluções tecnológicas voltadas para aumentar a qualidade de vida dessa fatia populacional.
Essas transformações econômicas nos conduzem a tentar entender o que caracteriza essa população. Afinal, a partir de qual idade uma pessoa faz parte desse mercado?
A União Europeia e a Oxford Economics usam 50+ para definir a idade da pessoa incluída na silver economy. No Brasil, a referência legal para a pessoa idosa é de 60 anos, definida pelo Estatuto da Pessoa Idosa. O IBGE segue esse critério nas estatísticas sobre a população idosa, e muito conteúdo sobre negócios brasileiros também usa 60+.
Como o seu negócio escolhe entre o consumidor 50+ e o consumidor 60+? Você precisa, inicialmente, escolher a idade do seu público-alvo de acordo com sua solução e contexto empresarial. Não misture os dados das duas faixas no mesmo cálculo.
A professora Vera, por exemplo, tem 67 anos e entra nas duas faixas.
Negócios como e-commerces estão em setores que atendem a economia prateada. Servir as pessoas não é só uma questão de inteligência de mercado: o lado humano conta também quando lidamos com o cliente.
Afinal, a população 60+ cresce no Brasil e a internet conecta esse consumidor com o ecossistema digital. Assim, uma venda perdida ocasionada por uma barreira digital é bem mais do que deixar dinheiro na mesa. Significa impedir uma pessoa adulta de participar de uma compra autônoma.
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, as pessoas de 60 anos ou mais correspondem a 15,8% da população brasileira. Isso significa 32.113.490 pessoas idosas residentes em solo brasileiro.
Além disso, considerando o público 50+, a consultoria Data8 estima que esse mercado movimente cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil. Repare que a estimativa usa a faixa de 50+, e não a de 60+ do IBGE.
Esses fatos nos provocam a inquietação: se o potencial de compra é tão grande, por que a loja perdeu a venda de Vera? As barreiras que ela encontrou são um problema de idade ou de acessibilidade? Até porque as duas coisas estão associadas: não há consumo sem inclusão.
Sites acessíveis são um direito. Conforme expressa o artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (LBI):
É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.
Mais de dez anos depois, o artigo ainda não foi regulamentado, e os parâmetros técnicos obrigatórios seguem em discussão, inclusive na Justiça Federal.
Para além da discussão legal, há uma oportunidade para as organizações. A acessibilidade digital melhora a vida de todas as pessoas, ainda mais com o envelhecimento. Algumas condições ficam mais comuns neste contexto de vida, como:
Existe até toda uma fundamentação técnica, a ABNT NBR 17225, para auxiliar negócios a melhorar a experiência do usuário. Por enquanto, a norma é uma referência técnica, sem força obrigatória. Um caso concreto ajuda a pensar nisso melhor.
Imagine a professora Vera ou qualquer pessoa, com ou sem deficiência, usando o celular sob o sol por um bom tempo. O contraste adequado, uma das soluções de acessibilidade, melhora a navegação de todos os públicos nessas condições. Se sua marca fosse implementar toda a infinidade de funcionalidades inclusivas, o que mudaria no seu site?
Resolver as barreiras digitais enfrentadas por Vera na hora da compra reduz o atrito no funil, o que pode influenciar a taxa de conversão e o abandono de carrinho.
Sem um caminho de compra simples, ela não finaliza o checkout. A seguir, as quatro dificuldades enfrentadas por Vera são examinadas uma a uma.
Nesse primeiro contexto, a letra pequena e a cor clara sobre o fundo branco atrapalhavam a leitura e a compra de Vera. Diante desse problema, a referência técnica WCAG (Web Content Accessibility Guidelines, ou Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web) traz um conjunto de recomendações para tornar a internet mais acessível para pessoas com deficiência (PcD).
Assim, a WCAG menciona uma proporção mínima de contraste para garantir que pessoas com baixa visão ou daltonismo consigam ler o conteúdo. O contraste é a diferença de brilho, luminância ou cor entre dois ou mais elementos, como o plano de fundo e o texto.
Além disso, uma boa experiência visual pressupõe a possibilidade de ampliar o texto sem quebrar a página.
Na loja de Vera:
A segunda barreira é uma área de toque muito reduzida. Botões pequenos e muito próximos causam toques errados no celular.
Essa característica negativa afeta pessoas com tremor, quem tem dedos maiores ou quem está em movimento. O tamanho ideal para botões depende da plataforma. Como referência, a WCAG 2.2 pede área de toque de pelo menos 24 x 24 pixels e recomenda 44 x 44 pixels no nível mais exigente das diretrizes.
Na loja de Vera:
Formulários com campos desnecessários, mensagem de erro pouco clara e sessões que expiram sem aviso dificultaram que Vera finalizasse o preenchimento do cadastro. Já um formulário acessível avisa antes de a sessão expirar e oferece a opção de pedir mais tempo.
Na loja de Vera:
A quarta barreira diz respeito a frete, prazo e condições de pagamento que aparecem só em banners que passam sozinhos pela tela. Vera não conseguia acessar essas informações de modo fácil. Assim, ficava difícil saber se a compra cabia no bolso dela.
Conteúdo em movimento precisa ter como ser pausado, e a informação que pesa na decisão de compra não deve depender dele. Assim, o consumidor tem tempo para avaliar se a compra é economicamente viável.
Na loja de Vera:
Agora que essas quatro barreiras já foram explicadas, como saber se o seu site apresenta recursos inacessíveis?
Uma maneira de avaliar a usabilidade de um site é pedir que as próprias pessoas 60+ usem o seu site, avaliando onde elas hesitam ou erram. Não ajude a pessoa usuária durante o processo. O teste deve reproduzir as condições reais da navegação para tornar os resultados mais fiéis.
Outra forma de revisão rápida é aumentar o zoom do celular, usar o site sob luz forte e tentar finalizar uma compra só com uma das mãos.
Ferramentas automáticas de diagnóstico ajudam a começar, mas não encontram todas as barreiras, porque alguns critérios da WCAG dependem de avaliação humana. No contexto vivenciado pela usuária Vera, um teste de usabilidade simples revelaria as quatro barreiras da loja em poucos minutos.
Tratar o cliente da silver economy com empatia não é só uma questão técnica ou de escrita de código. Uma linguagem clara também evita estereótipos.
A própria representação da diversidade etária deve ser repensada para evitar o etarismo. Por isso, abaixo, você confere um bom checklist para aprimorar a sua comunicação:
O design inclusivo é a resposta para essas barreiras. Há, de fato, muitas ferramentas que permitem ao público ajustar o site: navegar por voz, aumentar a letra, mudar o contraste, ouvir o texto e ouvir a descrição das imagens pelo leitor de tela.
A própria inteligência artificial amplia as possibilidades de uso. O Plugin Perto é um exemplo: reduz barreiras e dá mais autonomia a quem navega. Essa tecnologia requer boas práticas e revisão humana, pois nenhuma inovação deixa um site 100% acessível sozinha.
Na loja fictícia apresentada na introdução, um plugin como esse ajudaria nas barreiras de leitura, com ajuste de contraste, tamanho da letra e zoom, e pararia o banner em movimento com a função de bloquear animações. Já o tamanho e a distância dos botões e o cadastro que expira se resolvem no código do site. Por isso, o melhor ponto de partida combina as duas frentes.
Volte ao caso de Vera: ela comprou a mala depois que as quatro barreiras foram resolvidas. A lição deixada por esse exemplo é que, na silver economy, se o site trava, quem perde é a marca, e não o consumidor.
Para dar o primeiro passo, a Perto Digital oferece o plugin de acessibilidade, com mais de 60 funcionalidades e perfis acionados com um único clique. O consumidor da silver economy é particularmente beneficiado por recursos como o perfil de baixa visão, a alteração no tamanho da letra, o alto contraste, o zoom no conteúdo, o leitor de texto, os links sublinhados e o comando de voz.
Toda essa inovação facilita a navegação e complementa os ajustes do site. Teste o Plugin Perto gratuitamente e perceba a diferença no seu site.
Fique agora com um FAQ bem direto para reforçar seu aprendizado.
É um conjunto de soluções de mercado voltadas para o público idoso.
Sim. Economia prateada é a tradução de silver economy, em referência aos cabelos grisalhos das pessoas consumidoras.
A União Europeia e a Oxford Economics consideram que uma pessoa faz parte da silver economy a partir dos 50 anos. No Brasil, a referência legal para a pessoa idosa é de 60 anos, critério também usado pelo IBGE.
Considerando o público 50+, a consultoria Data8 estima que esse mercado movimente cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil.
A economia prateada reúne vários setores, e não um só. Entre os exemplos mais citados estão saúde, turismo, finanças, moradia e lazer.
Não. Na verdade, a acessibilidade digital beneficia uma gama imensa de pessoas usuárias, como o público idoso, pessoas com baixo letramento e quem tem impedimentos temporários.

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