Dark Patterns: Como Eles Prejudicam a Acessibilidade Digital

Felipe Gruetzmacher
Instagram da Perto DigitalFacebook da Perto DigitalCanal do Youtube da Perto Digital

As Dark Patterns são práticas antiéticas de design de interface que manipulam as decisões da pessoa usuária, impedindo a plena autonomia dela. Elas podem ser incompatíveis com tecnologias assistivas ou dificultar o seu uso, porque frequentemente incentivam a falta de clareza visual e/ou cognitiva, ou indução enganosa de decisões.

Essas práticas podem criar barreiras de acessibilidade e dificultar a navegação de pessoas com deficiência. Compreender essas práticas ajuda empresas a reduzir barreiras digitais, riscos de conformidade e perdas de conversão. Em resumo, o artigo se embasa nos seguintes itens:

  • O que são Dark Patterns?

  • Como Dark Patterns prejudicam a acessibilidade digital?

  • Quais leis podem ser afetadas pelo uso de Dark Patterns?

Uma jornada sem fricção digital é essencial para um bom desempenho na internet. Você aprenderá como essas práticas afetam a acessibilidade, experiência e conformidade legal.

Neste Artigo:

O que são Dark Patterns?

O termo Dark Patterns (padrões enganosos) foi criado em 2010 pelo pesquisador Harry Brignull. Assim, o conceito se refere a interfaces projetadas para enganar indivíduos. Tal ponto crítico dos sites pode afetar enormemente a navegação do público, conduzindo-os a cometer erros ou ações mal pensadas.

No princípio do UX (User Experience ou Experiência do Usuário), o objetivo é facilitar a interação entre pessoas e interfaces digitais com: simplicidade, menor esforço para alcançar informação e promoção da aprendizagem durante o uso.

Em outras palavras, o produto digital deve ser suficientemente intuitivo para que a pessoa usuária aprenda durante a interação digital. Assim, esses pontos não combinam em nada com as chamadas Dark Patterns.

Como Dark Patterns prejudicam a acessibilidade digital?

Dark Patterns podem impedir que pessoas com deficiência utilizem recursos essenciais de um site, criando barreiras de acessibilidade. São exemplos:

  • Cookie consent traps: são banners sem foco de teclado. Na prática, esses banners têm botões de rejeitar minúsculos e botões de “aceitar tudo” grandes. Essas características podem dificultar o uso por leitores de tela quando não possuem foco, rótulos adequados ou estrutura acessível. O ponto crítico em questão pode significar uma barreira digital para pessoas cegas;

  • CAPTCHAs visuais: elas podem ser barreiras, pois alternativas em áudio muitas vezes são difíceis de compreender ou usar;

  • Confirm-shaming com baixo contraste: o botão de “não, prefiro pagar mais” fica em cinza claro, o que dificulta a visualização para pessoas com baixa visão;

  • Urgência artificial: são alertas de estoque e contadores regressivos que provocam sobrecarga cognitiva em pessoas com ansiedade, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);

  • Roach motel em fluxos contínuos: nome dado à situação em que é fácil entrar mas difícil sair, como fluxos de cancelamento de assinatura com dezenas de telas. Ele consiste em labirintos de navegação que dificultam o uso, especialmente para pessoas com deficiência motora ou que dependem de navegação por teclado;

  • Checkboxes confusos em formulários: são pré-marcados e têm uma lógica negativa. Apresentam a opção de “desmarque para NÃO receber”, o que serve como barreira para pessoas com dislexia ou deficiência intelectual.

Como essas práticas influenciam negativamente a navegação de pessoas com deficiência, é indispensável mencionar leis que exijam acessibilidade digital.

O risco jurídico apresentado pelas Dark Patterns ao seu negócio

As Dark Patterns são um entrave para a livre navegação. Portanto, esse tema tem uma intersecção com diversos textos legais e padrões internacionais que exigem inclusão no mundo online.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) é um exemplo. O artigo 63 exige acessibilidade em sites. Esta exigência pode entrar em conflito com práticas de Dark Patterns, podendo configurar infração dependendo do caso. Já o e-MAG e a WCAG 2.2 apresentam aspectos diretamente violados por esses pontos negativos.

Confira as características e os códigos da WCAG que podem ser afetados:

  • Ordem do foco: SC 2.4.3;

  • Rótulos ou instruções: SC 3.3.2;

  • Contraste Mínimo: SC 1.4.3;

  • Prevenção de erros: SC 3.3.4;

A própria LGPD (Lei 13.709/2018) pode ser interpretada como violada quando práticas de design manipulam o consentimento, contrariando o princípio da transparência. Evitar esse contexto envolve uma auditoria que engloba etapas como:

  • Testar navegação por teclado e com leitores de tela (NVDA/ VoiceOver);

  • Verificar contraste de botões secundários;

  • Revisar fluxos de cancelamento/opt-out.

Um site sem Dark Patterns combina acessibilidade com empatia. É se colocar no lugar da pessoa usuária para apresentar um uso mais fácil e objetivo, sem barreiras ou necessidade de se fazer muito esforço. 

As Dark Patterns, por exemplo, violam o critério “contraste mínimo” da WCAG. Na prática, botões de baixo contraste como o confirm-shaming violam diretamente esse critério.

Resumo: Por que as Dark Patterns são tão prejudiciais para a inclusão digital?

O FAQ abaixo apresentará os principais conceitos desenvolvidos no decorrer do texto para facilitar a assimilação do seu conhecimento.

O que são Dark Patterns?

São práticas de design em interfaces digitais criadas para manipular ou enganar pessoas usuárias, induzindo decisões que elas talvez não tomariam de forma consciente. Essas estratégias comprometem a transparência e a experiência de uso.

Por que as Dark Patterns prejudicam a acessibilidade digital?

Elas prejudicam a acessibilidade porque dificultam a navegação, confundem a compreensão e podem ser incompatíveis com tecnologias assistivas ou dificultar seu uso. Isso cria barreiras para pessoas com deficiência visual, motora, cognitiva ou intelectual.

Como as Dark Patterns afetam pessoas que usam leitores de tela?

Eles podem impedir a navegação correta quando não possuem foco adequado, rótulos claros ou estrutura compatível com leitores de tela. Isso dificulta ou até inviabiliza o uso por pessoas cegas.

Dark Patterns podem impactar pessoas com deficiência cognitiva?

Sim. Elementos como urgência artificial, linguagem confusa e fluxos complexos aumentam a carga cognitiva, prejudicando pessoas com condições como TDAH, dislexia ou transtorno do espectro autista (TEA).

O uso de Dark Patterns pode violar leis brasileiras?

Sim. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) exige acessibilidade em ambientes digitais, e práticas enganosas podem configurar infração. Além disso, a LGPD pode ser violada quando há manipulação no consentimento de dados, como em banners de cookies.

Quais diretrizes de acessibilidade são afetadas pelos Dark Patterns?

Eles podem afetar ou, em alguns casos, violar critérios das diretrizes WCAG, como:

  • Ordem de foco (SC 2.4.3);

  • Instruções e rótulos claros (SC 3.3.2);

  • Contraste mínimo (SC 1.4.3);

  • Prevenção de erros (SC 3.3.4).

Como garantir a acessibilidade e evitar Dark Patterns em um site?

Para evitar essas práticas, é importante:

  • Garantir navegação acessível por teclado;

  • Utilizar contraste adequado em elementos visuais;

  • Criar fluxos simples e intuitivos;

  • Oferecer opções claras e transparentes;

  • Testar com tecnologias assistivas.

Evitar Dark Patterns pode melhorar os resultados do seu site?

Sim. Um site acessível e transparente aumenta a confiança, melhora a experiência e reduz abandono, o que pode impactar positivamente métricas como conversão e retenção.

Conclusão:

O Design acessível e o design honesto precisam estar alinhados. Evitar práticas de Dark Pattern é uma escolha justa e que prioriza a conformidade.  

A Perto Digital é referência em acessibilidade digital: o mais completo ecossistema de soluções inovadoras para minimizar atritos em sites. Para a Perto Digital, a implementação de uma navegação mais satisfatória é uma questão ética.

Enquanto o Plugin Perto oferece recursos de acessibilidade que ajudam a reduzir barreiras de navegação, o Texto Acessível Perto traz clareza e a Sessão Mapeada Perto ajuda a identificar pontos de atrito na navegação. Essas iniciativas podem contribuir para uma experiência mais acessível e para a redução de barreiras digitais.

Esse conjunto de produtos integrados e complementares auxilia negócios a apresentar jornadas digitais inclusivas para pessoas com e sem deficiência. Uma experiência acessível pode reduzir o abandono de navegação e ampliar o alcance do site. Isso é um dos fatores que contribui para aumentar conversões e gerar impacto social.

Ofereça uma experiência digital acessível, transparente e alinhada às diretrizes de acessibilidade. Converse com nossos especialistas e seja uma marca aliada das causas inclusivas.

Felipe Gruetzmacher

Felipe Emilio Gruetzmacher é um homem autista que atua como redator da Perto Digital, diretor de produção textual da diverSCInnova, copywriter da Editora Simulacro e blogueiro do site da ANAGEA (Associação Nacional dos Gestores Nacionais). Acredita no potencial da tecnologia em transformar a experiência digital e promover a inclusão das pessoas com deficiência.
LinkedInInstagram
Ver todos os posts

Newsletter

Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form.

Posts relacionados

Interface de computador com temas de acessibilidade e dark patterns, no contexto de discussão sobre design digital.

Felipe Gruetzmacher

Dark Patterns: Como Eles Prejudicam a Acessibilidade Digital

As Dark Patterns são práticas antiéticas de design de interface que manipulam as decisões...

Ler artigo

Imagem de um martelo de juiz ao lado de um laptop exibindo uma interface digital, destacando funções de gerenciamento.

Felipe Gruetzmacher

Por que realizar uma Auditoria de Acessibilidade Digital? Confira um checklist para WCAG e LBI

A auditoria de acessibilidade ajuda empresas a identificar riscos técnicos, jurídicos e...

Ler artigo

Quatro profissionais sorrindo e colaborando em um laptop, com uma interface digital ao fundo sobre acessibilidade.

Felipe Gruetzmacher

Qual é o impacto da acessibilidade digital na sua empresa?

A acessibilidade não se estende apenas a rampas ou espaços físicos, mas também aos ambientes...

Ler artigo