
94,8% dos sites mais visitados do mundo falham em algum critério básico de acessibilidade, segundo o relatório da WebAIM que analisou mais de 1 milhão de páginas iniciais da web. Esse número é o ponto de encontro entre acessibilidade e UX: quando um site falha nesses critérios, a experiência do usuário já está comprometida antes mesmo de a pessoa decidir se vai comprar.
A acessibilidade digital e a experiência do usuário caminham juntas. Quando um site remove barreiras de navegação, comunicação e compra, a experiência melhora para todas as pessoas, não só para quem tem deficiência.
Neste texto, o foco é prático: como a acessibilidade em UX afeta conversão e retenção, quais medidas colocar em prática e o que muda com a atualização da WCAG 2.2 e da ABNT NBR 17060.
Continue a leitura para sair daqui com um plano eficiente, não só com o motivo para agir.
Acessibilidade e UX se complementam, mas resolvem problemas diferentes. A acessibilidade garante que uma pessoa com deficiência consiga acessar, compreender e interagir com um produto digital. A UX cuida de como essa interação acontece, do quão fácil, rápida e agradável ela é para quem usa.
Um site pode ser tecnicamente acessível e ainda ter uma UX ruim, e o oposto também é verdade: uma UX bonita pode esconder barreiras invisíveis para quem usa leitor de tela ou navega por teclado.
Quando as duas coisas trabalham juntas, o resultado é uma experiência que funciona para o maior número possível de pessoas, sem depender de quem está do outro lado da tela.
A acessibilidade em sites é um aspecto indispensável e, em determinadas situações, constitui uma obrigação legal. No Brasil, o artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015) estabelece que:
Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.
Além da obrigação legal, a acessibilidade também contribui para ampliar o alcance de produtos e serviços, além de melhorar a experiência de pessoas com diferentes necessidades. Investir nela amplia o alcance da marca e contribui para que mais usuários tenham condições de acessar os produtos, serviços e conteúdos digitais da sua marca.
Colocar isso em prática é responsabilidade compartilhada. Design, desenvolvimento, conteúdo e produto precisam considerar acessibilidade desde o planejamento, não como ajuste de última hora depois que o site já foi lançado. Quanto mais tarde a acessibilidade entra no processo, mais caro e mais limitado fica o resultado.
A falta de acessibilidade custa perda de vendas. O 2º Estudo de Acessibilidade em Sites, do Movimento Web Para Todos, Ceweb.br e W3C Brasil, mostra que 28% das pessoas com deficiência que tentaram comprar em um site e não conseguiram concluir a compra apontam a falta de acessibilidade como motivo.
Na prática, um design inclusivo reduz atrito nos pontos mais sensíveis do processo de compra: formulários mais fáceis de preencher, botões com área de toque adequada, contraste que funciona em qualquer condição de luz. Cada ajuste remove uma barreira que interrompe a navegação de alguém antes da conversão.
O efeito se estende à retenção. Quando o site continua funcionando bem para quem usa leitor de tela, navega por teclado ou depende de contraste alto, a experiência não vira motivo de troca para um concorrente.
Essa lógica de negócio está por trás do reconhecimento da Perto Digital como 1ª colocada no ranking de acessibilidade digital da ABCOMM em 2025.
A UX considera diferentes necessidades e formas de interação, reduzindo barreiras que podem dificultar a navegação de pessoas com deficiência. Sites não acessíveis criam barreiras diferentes conforme a forma de interação de cada pessoa:
Há uma diversidade de meios e recursos para que sua experiência digital seja acessível às pessoas com deficiência. Cada ferramenta satisfaz uma necessidade específica.
Os erros mais comuns não são exóticos. O mesmo panorama da WebAIM citado no início deste artigo mostra que contraste de texto insuficiente aparece em 79,1% dos sites analisados, falta de texto alternativo em imagens em 55,5% e rótulo de formulário ausente em 48,2%.
As medidas a seguir, organizadas por tipo de necessidade, atacam diretamente esses pontos.
Para pessoas com baixa visão, cegueira ou daltonismo, a diferença geralmente está nos detalhes de contraste e estrutura:
Para pessoas surdas ou com deficiência auditiva, a barreira normalmente é a ausência de uma alternativa à informação sonora:
Para pessoas com limitações motoras, dislexia, autismo ou outras condições cognitivas, o que mais pesa é a previsibilidade da interface:
Essas práticas ajudam a reduzir barreiras e tornam tarefas como navegar, localizar informações e preencher formulários mais acessíveis. Além de reduzir barreiras, tudo isso contribui para melhorar o engajamento e favorecer a retenção de clientes.
A WCAG 2.2 e a ABNT NBR 17060:2022 não são só referências teóricas, elas mudam decisões concretas de design e desenvolvimento.
A WCAG 2.2, publicada pelo W3C, organiza a acessibilidade em quatro princípios: perceptível, operável, compreensível e robusto. Na prática, ela é a régua técnica usada para avaliar se um elemento de interface (um botão, um formulário, um vídeo) é acessível. Times de produto e QA usam a WCAG como checklist de validação antes de publicar uma tela nova.
Já a ABNT NBR 17060:2022 é a norma brasileira equivalente para aplicativos de dispositivos móveis, com 54 requisitos organizados em percepção e compreensão, controle e interação, e mídia e codificação. Na prática, ela dá ao time de mobile o mesmo tipo de checklist que a WCAG dá para web, já adaptado ao contexto de aplicativo.
Para quem lidera marketing ou produto, o ponto prático é este: exigir conformidade com essas duas normas nos requisitos de briefing e de aceite de qualquer entrega, de landing page a atualização de app, custa menos do que corrigir depois de publicado.
Voltando ao início deste texto: quase 95% dos sites mais visitados do mundo ainda falham em critérios básicos de acessibilidade, e isso tem preço. Você viu ao longo do artigo que esse mesmo tipo de barreira aparece nos 28% de desistência de compra entre pessoas com deficiência. Cada contraste ajustado, formulário mais claro ou navegação por teclado que funciona de ponta a ponta é uma dessas desistências que deixa de acontecer.
Unir acessibilidade e UX significa tratar as duas coisas como parte do mesmo produto, não como duas etapas separadas do processo. O ganho aparece em conversão, em retenção e na forma como sua marca é percebida por um público que hoje é maior do que a boa parte das empresas percebe.
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A acessibilidade garante que pessoas com deficiência consigam acessar, compreender e usar um produto digital com autonomia e segurança. A usabilidade trata da facilidade, eficiência e satisfação de qualquer pessoa usuária ao interagir com essa interface. Um produto pode ser usável e não ser acessível, e o contrário também acontece. O ideal é que as duas coisas avancem juntas.
Tecnologia assistiva é o conjunto de recursos, dispositivos e serviços que ampliam a autonomia e a independência de pessoas com deficiência. No ambiente digital, leitores de tela, ampliadores de tela, teclados adaptados e softwares de reconhecimento de voz são exemplos comuns de tecnologia assistiva.

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